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Inventor conta a história por trás do lendário Post-it
Publicado por:Priscila Pessatti, outubro - 27 - 2017

São Paulo – “Muitas pessoas se aproximam e dizem: ‘eu também tive a ideia de fazer um papel adesivo! ’. E eu pergunto: por que então não fez nada a respeito?”. É com essa frase que Arthur Fry, ex-cientista da 3M, começa a contar a história por trás da invenção do Post-it, um dos produtos mais conhecidos do planeta.

À primeira vista, o Post-it pode parecer simples, mas é fruto de uma complexa união entre tecnologia única (um adesivo sensível à pressão e com baixa aderência) e utilidade. A substância usada foi desenvolvida anos antes por outro cientista da 3M, Spencer Silver. Seu uso, porém, permaneceu uma incógnita durante anos até que, na década de 70, Fry encontrou “o problema para a solução”.

A criação rendeu a ele, além da fama mundial, com direito a recorrentes menções em filmes hollywoodianos, um lugar entre os inventores mais brilhantes da história dos Estados Unidos. “Além da inventividade do processo de criação do Post-it, o seu impacto econômico é enorme. Há anos consta entre os cinco itens de escritório mais vendidos nos EUA”, aponta Rini Paiva, porta-voz do National Inventors Hall of Fame.

E qual o segredo de Fry? Paciência, perseverança e, segundo o próprio, é preciso “tentar tudo, pois os mais bem sucedidos são aqueles que acumulam o maior número de fracassos”.

O inventor, hoje com 80 anos, conversou com EXAME.com sobre o momento “Eureka!” na criação do Post-it e deu dicas sobre os melhores caminhos para a invenção de algo verdadeiramente novo. Confira:

EXAME.com – Qual a história por trás da criação do Post-it?

Art Fry – Eu tinha uma solução esperando por um problema. Um colega de 3M, Dr. Spencer Silver havia inventado uma espécie de adesivo de baixa aderência, mas não sabia como usá-lo. Então, eu descobri o problema enquanto cantava no coral da minha igreja. O nosso repertório era grande e costumávamos marcar as músicas com pedaços de papel. Um dia levantei para cantar e derrubei as partituras no chão.

Enquanto em pé, só pensava em como gostaria de algo que pudesse colar a papelada. Mas, todos os adesivos que eu conhecia da 3M tinham aderência tão forte que despedaçaria o papel. Bom, pensei então em como posso desenvolver um adesivo que tivesse o nível certo de aderência. E foi então que me lembrei da invenção de Silver.

Comecei a trabalhar nessa ideia, fiz à mão e distribui algumas amostras, em forma de marca-livros. Em poucas semanas, outras pessoas do laboratório começaram a pedir mais. “Eureka! Que ótima notícia!”, foi o que disse quando percebi que tínhamos algo maior em mãos.

A ideia de transformá-lo em bloco de notas veio depois e a máquina que possibilitou a fabricação do Post-it nesse formato foi construída por mim, no meu próprio porão. Ninguém tinha tecnologia que permitisse isso. E funcionou!


EXAME.com – Como é possível diferenciar uma boa ideia de uma má ideia?

Fry – Pode ser uma boa ideia para o inventor e má ideia para quem vai comprá-la. Você precisa de algo que se enquadre nas necessidades das pessoas. Tem que testar e observar se, de fato, resolve o problema.

E inovação é quando as pessoas compram o seu produto e ele ajuda a transformar os velhos hábitos em novos padrões. Portanto, para saber se sua ideia é boa, você precisa saber se é válida. E a melhor maneira de descobrir isso é escutar as pessoas e buscar criar algo que seja útil.

EXAME.com – Qual o melhor caminho para inovar?

Fry – Existem várias maneiras para começar a criar. Uma delas é começar a partir da tecnologia que você tem disponível. Então, pense o que pode ser feito com ela e se as pessoas realmente precisam disso.

Outra estratégia é começar com a ideia de produto. Depois que você já tem isso esclarecido, analise como pode fazê-lo e, mais uma vez, se é necessário. Quanto antes tiver protótipos prontos para serem testados pelas pessoas, melhor.

Uma terceira via é perceber a necessidade das pessoas e os problemas que enfrentam para fazer determinada coisa. Sua tarefa então é a de pensar em soluções para estes obstáculos.

Também pode ser uma questão de observar como os consumidores estão fazendo as coisas. Talvez eles nem saibam que tem um problema, pois já tem uma maneira de contorná-lo. O inventor pode então olhar para a situação e enxergar o que é preciso para resolvê-la.

EXAME.com – O senhor tem algum método predileto?

Fry – Não, nenhum método específico. Minhas ideias surgem das mais variadas formas. Participo de seminários, leio vorazmente e acúmulo conhecimento. Adoro conhecer as pessoas, entender o que elas estão fazendo e como estão fazendo. Sou muito curioso e adoro descobrir se eu consigo ajudá-las a fazer algo melhor e de maneira mais fácil.

EXAME.com – Qual o recado que o senhor dá aos inventores de plantão em busca de criar algo inédito?

Fry – Tente tudo, as pessoas mais bem sucedidas são as que acumulam a maior quantidade de fracassos. Desenvolva muitas ideias. Às vezes, os obstáculos que te impedem de contornar algum problema de criação podem ser resolvidos quando você está trabalhando em outra coisa. Então, se mantenha ocupado e continue sempre aprendendo.

Você pode enxergar claramente coisas que os outros não enxergam. Precisa então aprender a vender a sua ideia. Nós, inventores, temos que ser professores pacientes. Se fizermos isso, a paciência e perseverança vão ajudar a ganhar a batalha.

Existem pessoas com excelentes ideias. As ideias, porém, acabam ficando pelo caminho justamente porque seu inventor não tem a perseverança e a paciência necessárias para que sua criação dê certo.

É trabalho duro, mas é muito divertido. E é melhor ainda quando você trabalha para uma empresa que lhe paga para isso (risos).

Fonte: Exame

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Inventor do Bina, Nélio Nicolai morre em Brasília aos 77 anos
Publicado por:Priscila Pessatti, outubro - 17 - 2017

Morreu na quarta-feira (11) em Brasília o engenheiro eletrotécnico Nélio José Nicolai, cuja invenção mais famosa é o Bina – sistema identificador de chamadas por telefone. Ele tinha 77 anos e deixa quatro filhos e dois netos.

Nicolai estava se recuperando de um acidente vascular-cerebral (AVC) que tinha sofrido há cerca de cinco meses. Nos últimos dias, no entanto, apresentou complicações pulmonares. Ele morava no Lago Norte. O enterro foi na quinta (12).

Engenheiro Nélio Nicolai segura documento de patente (Foto: Arquivo Pessoal)
Engenheiro Nélio Nicolai segura documento de patente (Foto: Arquivo Pessoal)

Ao G1, a filha dele, a empresária Michelle Nicolai, definiu o pai como “cativante”. “Ele é o melhor pai do mundo. As pessoas não tiveram a oportunidade de ver tudo o que a gente viu.”

“Meu pai lutou muito, não só pelos inventos dele, mas também pelo país. O sonho dele era construir uma faculdade de tecnologia, onde as pessoas que têm essa veia criativa poderiam colocar isso para fora.”

“Muitas vezes teve oportunidade de sair do país, mas ele dizia que queria lutar pelo Brasil, de trazer as invenções e os benefícios para o Brasil. Ele dizia que o brasileiro é muito criativo. O que chamam de ‘jeitinho brasileiro’ ele chama de dom que Deus deu: a criatividade”, continuou Michelle.

Segundo ela, viver com o pai era estar cercada sempre de novos apetrechos no dia a dia. “Ele tinha várias outras invenções. Quando você passa o cartão e alerta o celular, aquilo é invenção dele. O telefone fixo no celular também é invenção dele.

Ela contou ainda que o pai era muito apegado à religião, inclusive alegando que diversas ideias vinham de visitas de Deus em sonhos. “Às vezes eu o via sentado no sofá, perguntava o que estava fazendo e ele dizia que Deus estava contando mais um segredo”, lembra.

Genro de Nicolai, o empresário Paulo Lins diz que ele era à frente do tempo. “É alguém com pensamento de fato no futuro, com objetivo de trazer o futuro para o presente. Era um desbravador de fronteiras. Se pedir, ele ia apresentar ideia para tudo que o mundo precisa hoje.”

Bina

Mesmo sendo inventor de uma ferramenta usada por milhões de aparelhos todos os dias, Nicolai não chegou a aproveitar dos frutos da engenhoca. O ex-jogador de futebol transformado em técnico em comunicações travava uma batalha judicial pelo reconhecimento dos direitos de uso do Bina havia mais de 15 anos.

Em 1997, Nicolai recebeu do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) a patente do Bina, após cinco anos de espera. Este instrumento não impede a utilização de uma ideia, mas prevê em troca o pagamento dos direitos.

Documento em mãos, pediu às empresas telefônicas o pagamento dos direitos. “Uma das empresas me disse: ‘Vá à justiça, talvez seus bisnetos recebam algo’. Então decidi defender os direitos de meus bisnetos”, afirmou em entrevista à época.

Se recebesse o que pede, Nicolai seria milionário. A família diz que também o Brasil se beneficiaria com o reconhecimento, uma vez que haveria perspectiva de arrecadar mais impostos.

Para Michelle Nicolai, o Bina era assunto quase todos os dias em casa. “Ele dizia que se uma porta fechava, ele já ia procurava outra. É claro que aquilo doía, mas ele nunca se sentiu injustiçado. As pessoas não têm noção do tanto que a gente é feliz e tem uma família unida.”

Fonte: G1

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